Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Sinais dos tempos

Então a Regina vendeu-se à CP?
E o Coelhinho já vai não com o Pai Natal e o Palhaço ao Circo?


Bolas, lá se foi mais uma frase do meu imaginário.

Pergunta (in)Oportuna




Pergunta feita por uma adolescente de 16 anos:

"- Se o José Saramago escrever sem pontuação é um génio, então porque é que se eu fizer o mesmo a Português tenho negativa?"


Terça-feira, Novembro 29, 2005

Espelho



No espelho do tempo
procuro a minha imagem.
Vejo-me reflectida em linhas ténues,
imperfeitas, não sonhadas.
Imagens fractais em espelho quebrado.

Sombras de quem já fui

afloram a minha pele,
desenham na superfície
círculos de mel e de fel.

Só agora tomo consciência

de quanto amadureci.
Certezas de ontem, incertezas de hoje,
mas e amanhã?



Imagem: Amber Lia-Kloppel, Woman at the Mirror, 2001

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Screen Saver

Eu que nem sou muito de política e que até conhecia um parecido, achei este mesmo espectacular...

Most recente screen saver in the USA



(recebido por email)

Ao Telefone...


Conversas suREAListas I


- Xpto, boa tarde.

- Boa tarde, fala X da empresa Yz, se fosse possível gostaria que me facultasse a morada da vossa delegação nas Caldas da Rainha…

- É só um momento por favor.

- Obrigada.

- Caldas não encontro, só encontro Santarém.

(Pensamento: Até que é bem parecido…)

Depois de procurar melhor…

- Afinal já encontrei as Caldas, o número de telefone é…

(Pensamento: Para quem queria a morada, não vais nada mal…)


Conversas suREAListas II


Mais tarde ligando para a delegação de Caldas da Rainha.

- Xpto, boa tarde.

- Boa tarde, fala X da empresa Yz, gostaria de saber se já teriam recepcionado um parecer que pedimos que fosse transferido de Lisboa.

- É só um momento, por favor. Disse que a empresa era…?

- Empresa Yz.

- Aqui o nosso sistema diz que sim, mas tenho que ir confirmar… Aguarde um momento…

Momento, de cerca de cinco segundos, durante o qual supostamente a funcionária deveria ter confirmado se o processo já tinha chegado, mas que se ouvia uma risota pegada, com gargalhadas bastante audíveis… E de volta…

- Xpto, boa tarde.

- Boa tarde, fala X da empresa Yz, a senhora foi confirmar se o parecer tinha efectivamente chegado…

- Ah, sim sim, já deve ter chegado, pode cá vir buscar…



Domingo, Novembro 27, 2005

Hoje estou assim...

Adoro o Domingo para fazer precisamente aquilo que mais gosto: Nada

Sábado, Novembro 26, 2005

O céu tem mais uma estrelinha - a Milupa


Quando a Milupa, uma gatinha preta e branca que irradiava meiguice, chegou áquele cantinho do céu, tinha à sua espera uma outra estrelinha da minha vida - a Punky.

A Punky era uma cadelinha branca de pelo comprido e liso.

A sua amizade foi imediata, unidas que estavam pelo laço de alguém que conheceu as duas naquele planeta distante que dá pelo nome de terra.

A Punky contou à Milupa os segredos daquele canto do universo, tão calmo na sua imensidão e tão silencioso na sua infinidade.


E todas as noites as duas brilham intensamente para fazer lembrar à sua amiga humana, que existe algo para além da vida e da morte e que nem tudo acaba no firmamento.




Adeus Milupa.
Até sempre Punky e Milupa.


Imagem retirada daqui

Saudade de nós



Sei que sou e que sinto,
Sei quem sou,
sinto o bater do coração
Sei que sou e que estou
Sei que sou assim e
que estou definitivamente no limbo da vida
Sei onde vou e como vou
Sei que vou voar
Nas asas do teu desejo
Sinto que esperas por mim no fim do caminho
Onde cruzaremos as nossas mãos
Para um abraço sem fim
Onde se unirão corpos, almas e prazeres.
Mas sei que partirás e que ficará somente o vazio do silêncio,
Quando os céus ficarem vermelhos de saudade
Qual folha caída no pensamento.


Imagem retirada daqui

Domingo, Novembro 20, 2005

Delícioso


Ao dar um passeio pela Blogosfera, descobri um blog delicioso.

Dá pelo nome de Webcedário e é um divertido jogo com as letras e os números. Vale a pena dar lá um salto.


Sábado, Novembro 19, 2005

Visões

O Codex 632 teve o condão de me pôr a pensar sobre muitas coisas.
Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem não tem acesso ao real em si, mas apenas a representações do real. Completando esta ideia a filósofo francês Michel Foulcaut acrescenta que não há verdade objectiva, o que temos são várias verdades subjectivas, já que se não temos acesso ao real não conseguimos ter acesso à verdade, uma vez que o real é a verdade. A ideia parece intrincada, mas se pensarmos bem, até é verdade. Nunca há só uma verdade, existem sim maneiras diferentes de ver o mesmo facto. Diferente de ser humano para ser humano, de raça para raça, ou de credo para credo. Apesar de já saber tudo isto, até porque vivemos num mundo cada vez mais globalizado, onde as ideias são cada vez mais discutidas abertamente, o que realmente me ficou cá a ressoar foi a questão da realidade.
A maneira como vemos as coisas e as tomamos como certas. Dois dos exemplos que nos são dados no livro – o céu e o mar.

De que cor são o céu e o mar? Naturalmente respondemos que são azuis. Mas são mesmo? Não será porque a luz ao incidir nas partículas cria reflexos que tomamos por azuis? Para um cão, o céu será sempre cinzento já que tem uma visão monocromática. Um realidade, duas visões ou será antes duas realidades? Pois aqui é que bate a questão…


(E como eu adoro livros que dão que pensar…)

Imagem retirada daqui

O Codex 632



Sinopse:

A mensagem enigmática foi encontrada por entre os papéis que um velho historiador deixara no Rio de Janeiro antes de morrer.

MOLOC

NINUNDIA OMASTOOS

Tomás Noronha, professor de História da Universidade Nova de Lisboa e perito em criptanálise e línguas antigas, foi contratado para descodificar esta estranha cifra. Mas o mistério que ela encerrava revelou-se para além da sua imaginação, lançando-o inesperadamente na pista do mais bem guardado segredo dos Descobrimentos: a verdadeira identidade e missão de Cristóvão Colombo.

Baseado em documentos históricos genuínos, O Codex 632 transporta-nos numa surpreendente viagem pelo tempo, uma aventura repleta de enigmas e mitos, segredos encobertos e pistas misteriosas, aparências enganadoras e factos silenciados, um autêntico jogo de espelhos onde a ilusão disfarça o real para dissimular a verdade.

«Tomás apercebeu-se de uma folha solta, duas linhas firmes, quatro palavras redigidas com inusitado cuidado, as letras rabiscadas em maiúsculas, pareciam rasgar o papel, a caligrafia revelando contornos obscuros, insinuantes, como se encerrasse uma arcaica fórmula mágica, criada por antigos druidas e esquecida na névoa dos séculos. Quase irreflectidamente, sem saber bem porquê, como se obedecesse a um velho instinto de historiador, aquele sexto sentido de rato de biblioteca habituado ao mofo poeirento dos velhos manuscritos, inclinou-se sobre a folha e cheirou-a; sentiu emergir dali um odor arcano, um aroma secreto, uma fragrância transportada por um mensageiro do tempo. Como um encantamento esotérico, que nada revela e tudo sugere, aquelas palavras indecifráveis exalavam o enigmático perfume do mistério.


Nunca tinha lido nada do José Rodrigues dos Santos, mas fiquei fã. O livro é uma viagem pela nossa História, escrito numa linguagem simples e acessível, até porque como ele mesmo disse numa entrevista de um programa de televisão, o importante é a história e não a maneira como está escrita.
A nossa viagem é feita através de Tomás Noronha e vivemos com ele as emoções das descobertas e o percurso do seu dia-a-dia.

Mereceu-me as 5 estrelas, porque para mim está ao nível da "Conspiração". Não é só lá por fora que se escreve bem.


Imagem: Editora Gradiva

Domingo, Novembro 13, 2005

Palavras novas, ideias antigas

Terminou hoje o Congresso da Nova Evangelização. Segundo notícia do Público, "O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, negou hoje que a Igreja católica seja "demasiadamente masculina" e destacou "a maneira feminina de ser cristão, de rezar, de amar, de servir e de anunciar", na missa de encerramento do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa." Será mesmo? A acreditar nestas palavras tínhamos que esquecer séculos e séculos de subjogação da Mulher e da promoção da imagem do Homem.
Não sou defensora acérrima do feminismo, defendo sim que devemos ter posições iguais, quer profissional quer socialmente, com todas as consequências que estas posições acarretem.
Mas cada vez que oiço/leio afirmações destas por parte da Igreja Católica Apóstólica Romana, surge-me logo à ideia o "Código DaVinci" do Dan Brown, pois apesar de não fazer dele a minha "Bíblia" acredito que as mulheres tiveram um papel mais preponderante nos tempos de Jesus Cristo, e que estas foram vendo o seu "papel" diminuido ao longo dos tempos, precisamente pela Igreja Católica.

Doce Domingo

Termina hoje o IV Festival Internacional de Chocolate de Óbidos.
Mais uma ano que não fui até lá. Acho que São Pedro não gosta nada de chocolate, é por aqui nos reinos do Oeste chove imenso que faz um friozinho de rachar.
Este ano o Festival é subordinado ao tema do Cinema e contém espetaculares esculturas em tamanho real. Mas não desesperem que estas esculturas vão poder ser vistas até ao final do mês e para o ano que vêm já que está a ser concluida a construção do Museu do Chocolate. Talvez para o ano lá vá e até pode ser que mudem o festival para uma altura do ano um pouco mais anema (não muito senão o chocolate derrete).

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

O Homem e a Tecnologia



Ainda hoje, ao final de tantos anos em que lido com a tecnologia, não há um dia em que não pasme com o avanço da mesma.
Não é necessário irmos para as grandes obras tecnológicas, como satélites, estações orbitais, foguetões ou a robótica, pois se pararmos um pouco para pensar, temos em casa verdadeiras obras de arte, que nos dias de hoje, e por força do uso, fazem parte integrante dos nossos dias.
O “simples” objecto com que vos envio esta mensagem, o computador, envolve muitos processos complicados para que se torne fácil usá-lo. Fico maravilhada a pensar que cada letra que escrevo, cada imagem ou e-mail que envio são transformados em zeros e uns, para ser armazenada no disco ou para ser enviada em pacotes de informação pela Internet, que são “despachados” a velocidades estonteantes para um outro computador muito maior em termos de armazenamento – o servidor e deste para o mundo. Ora é aqui que reside a magia da questão. Estes pacotinhos de informação têm que ir muito alinhadinhos ou então era a grande confusão (às vezes é mesmo). Agora elevando isto para o reino da fantasia, e porque estamos a chegar ao Natal, imaginem por momentos que os benditos dos pacotes de informação são as prendas de Natal e que a caminho do Pólo Norte (servidor) se baralham todos e já não se sabe para quem é cada um deles. Agora imaginem os duendes completamente atarantados, a abrirem todos os presentes só para encontrar os destinatários. No fundo é isto que, tanto o servidor, como os nossos computadores, fazem ao receber a informação. E tudo numa fracção de segundos. É mesmo de pasmar.
A parte dos computadores é só uma ínfima amostra deste nosso presente tecnológico, se olharmos ao nosso redor tudo é tecnologia, os telemóveis, a televisão, os DVD´s, os automóveis… tudo isto maximizado em quantidade e minimizado em tamanho.
Nada mau para quem ainda há pouco anos andava de carroça...
Mas no final de tudo, será que ganhámos alguma coisa com o que fomos aprendendo e desenvolvendo? Ou só aprendemos que queremos aprender mais? Aonde nos leva esta sede de conhecimento?


Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Vinho Mágico


Sinopse:

Em Vinho Mágico a história é-nos contada por uma garrafa de "Fleurie 1962", um vinho vivo e tagarela, alegre e um pouco impertinente, com um acentuado sabor a amoras.
Jay Mackintosh, em tempos um escritor de sucesso, encontra-se em crise, leva uma vida sem sentido e entrega-se à bebida. Até ao dia em que abandona Londres e se instala em França, na aldeia de Lansquenet (a mesma aldeia que serviu de cenário a Chocolate, o primeiro romance de Joanne Harris). A partir daí a sua vida vai modificar-se, nomeadamente por acção da solitária Marise (que esconde um terrível segredo por detrás das persianas fechadas) e das recordações de Joe, um velho muito especial que conheceu na infância e que lhe ofereceu precisamente essa garrafa de propriedades invulgares e misteriosas...

Este livro é o terceiro que leio da Joanne Harris e foi um surpreendente desilusão. É um livro que, apesar de estar bem escrito e de ter todos os ingredientes necessários, não me conseguiu "agarrar" nas primeiras páginas. É uma história de vida, de amor e de emoções contada no presente, com flashbacks da adolescência de Jay Mackintosh.
Ao contrário de "Chocolate" e "Cinco quartos de laranja" a história pareceu-me real, mas forçada, sem o "cheiro" que nos transmitem os outros dois.