Travar o tempo
Estes últimos dias não têm sido fáceis.
Sempre me assustou a morte ou melhor a sua iminência, dado que depois de ela chegar não há nada a fazer.
É o percurso final que me assusta. A perda de energia, a ausência em vida, o sentir que estou perdendo cada dia um pouco de alguém que amo. Bem sei que a maior certeza que temos é morrer, principalmente quando a idade já é muita, mas nunca nos conformamos.
Ver alguém definhar e desprender-se de nós e do mundo, cansada de viver, achando que o dia de amanhã não é uma bênção é um sacrifício a enfrentar só porque Deus ainda não se lembrou dela, é duro. Que fazer nestas alturas? Que dizer?
Sempre vi a minha avó como uma mulher enérgica e bem disposta, rígida mas sempre amiga, sempre presente com um “docinho”. Senti-la partir dói muito e não quero que esse dia chegue nunca. Mas sinto que estou a perder a MINHA avó, e sinto-me triste.
Tenho o secreto desejo que Deus se esqueça dela e que a deixe ficar connosco mais alguns anos.
Imagem de Sérgio Rodrigo in .:: Olhares.com ::.



