Segredos do Silêncio
Olho em ti o que já foste,
pedaço de vida que nunca existiu.
Imagino-te as histórias, os amores, as saudades,
as lágrimas que em ti nunca choraste,
Pedaços de outros tempos agora esquecidos.
Vidas que viveste sem nunca teres vivido.
Os amores, os desencontros, os silêncios velados,
as serenatas tardias, os rostos apaixonados de quem uma dia
achava que o amanhã não viria.
Segredos que trancaste com os teus braços pesados,
seres que protegeste e abrigaste,
corpos esquecidos em noites de paixão,
arfantes, escaldantes.
Rostos velados, pesados,
sombras de tristeza que os anos avivaram.
Quem em ti nasceu, quem em ti amou, quem em ti morreu.
Quantas histórias viveste sem viveres...
Olho para ti agora e quase adivinho o rosto que ainda se enconde,
que ainda albergas, que ainda vive sem que vivas.
Foto de António Coutinho in .:: Olhares.com ::.










